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Chupeta: Prós e Contras

A introdução da chupeta nos hábitos do bebê é um tema muito controverso e as opiniões entre os especialistas divergem.

Enquanto que para alguns pediatras, o uso da chupeta tem mais desvantagens do que vantagens e desaconselham firmemente a sua utilização, outros afirmam que o uso da chupeta até pode ser benéfico para o bem-estar do bebê.

A sucção é um reflexo do bebê desde o útero materno e pode ser observada através de ultrassonografias, que mostram alguns bebês chupando o dedinho. Esse reflexo é vital para o crescimento e desenvolvimento psíquico do bebê.

A criança, especialmente em seu primeiro ano de vida, tem uma necessidade fisiológica de sucção. Além da amamentação, que garante a sua sobrevivência, a sucção também promove a liberação de endorfina, um hormônio que produz um efeito de modulação da dor, do humor e da ansiedade, provocando uma sensação de prazer e bem-estar ao bebê.

A amamentação é suficiente para satisfazer o desejo básico de sucção do bebê, desde que ele esteja mamando exclusivamente no peito e a mãe o ofereça sempre que o bebê quiser. É importante enfatizar que a sucção do bebê ao mamar no seio materno é completamente diferente do sugar o bico de uma mamadeira ou chupeta. Mamar no peito é muito importante para o desenvolvimento da mandíbula e demais ossos da face, dos músculos da mastigação, da oclusão dentária e da respiração de forma adequada.

A pergunta crucial é: como oferecer a chupeta de maneira correta, na medida certa? A chupeta deve ser utilizada de maneira disciplinada, nos casos de os bebês estarem irritados, ou sonolentos após a mamada ou deve ser oferecida quando a criança apresentar necessidade de sucção. O uso da chupeta não deve servir para consolo para a criança, ou para solucionar outros problemas como o susto, cólica, o fato de estar com a fralda molhada ou se sentir sozinho.

Prós da Chupeta

Oferecer a chupeta de maneira disciplina e controlada, além de não provocar danos à saúde, pode ser saudável sob um outro aspecto, o psicológico. Talvez esteja faltando aos profissionais que condenam o uso da chupeta com veemência – inclusive as ortodônticas – um pouco de sensibilidade para considerar também o lado emocional do neném e – por que não? – da mãe.

Entre as vantagens apontadas, destacam o seu efeito tranquilizador em alguns bebês (na ausência dos pais e especialmente na hora do sono) e o fato de evitar que chupem o dedo, hábito ainda mais difícil de controlar pelos pais e de eliminar dos hábitos da criança, depois de esta se habituar a usá-lo como objeto de conforto/pacificador.

Contras da Chupeta

Inúmeros estudos mostram que a chupeta está sempre associada com um tempo menor de duração do Aleitamento Materno e que a mesma acaba por ser um indicador de dificuldades da amamentação. Este fato acabou sendo decisivo para que a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) optassem como recomendação oficial de não utilizar bicos e chupetas desde o nascimento, pois o tempo de duração do aleitamento materno influi diretamente na saúde do bebê e da mãe, quanto mais tempo amamentar, mais saúde para ambos. Esta orientação é compartilhada pelo Ministério da Saúde do Brasil que desde 1990 optou pela implantação da Iniciativa Hospital Amigo da Criança, que tem como regra (nono passo – o sucesso da amamentação) a não utilização de bicos, mamadeiras e chupetas em alojamento conjunto.

Com relação a acalmar, temos uma linha de psicólogos que discordam desta forma de acalmar, pois temos inúmeras maneiras de acalmar um bebê (carinho, colo, cantar, amamentar, etc.) sem a necessidade de utilização de um artifício que traz malefícios para a saúde do bebê. Orientam ainda que quando uma criança começa a introduzir o dedo na boca, temos que dar uma função para as mãos, desta forma, entrega-se brinquedos adequados para a idade para que a distração seja direcionada em outro sentido. Claro que a criança poderá levar este brinquedo à boca (mordedores, por exemplo), mas isto não leva a vícios. Portanto não “vicia” em chupeta e nem no dedo.

Outros estudos apresentam efeitos prejudiciais do uso da chupeta com relação à oclusão dentária, levando à deformação na arcada dentária e problemas na mastigação, além de atrasos na linguagem oral, problemas na fala e emocionais. O risco de má oclusão dentária em crianças que utilizam chupetas pode chegar a duas vezes em relação aos que não usam.

Temos ainda prejuízos respiratórios importantes, levando a uma expiração prolongada, reduzindo a saturação de oxigênio e a frequência respiratória. A respiração acaba ficando mais frequente pela boca (respiração oral), o que piora a elevação do palato (céu da boca), diminuindo o espaço aéreo dos seios da face e provocando desvio do septo nasal.

A respiração oral leva à diminuição da produção da saliva, que pode aumentar o risco de cáries. Como a respiração nasal tem a função de aquecer, umidificar e purificar o ar inalado e isto não ocorre de forma adequada na respiração oral, temos maiores chances de irritações da orofaringe, laringe e pulmões, que passam a receber um ar frio, seco e não filtrado adequadamente.

Outras consequências da respiração oral são: as infecções de ouvido, rinites e amigdalites.

O uso de chupetas também está associado a maior chance de candidíase oral (sapinho) e verminoses, já que é quase impossível manter uma chupeta com higiene adequada.

Na confecção de bicos e chupetas temos o uso de materiais possivelmente carcinogênicos (N-nitrosaminas) que ainda carecem de estudos mais aprofundados.

Por fim, vale destacar que um estudo de revisão, multidisciplinar, publicado no Jornal de Pediatria em 2009, buscou na literatura prós e contras o uso de chupeta e chegou à conclusão final de que foram encontrados mais efeitos deletérios do que benéficos.

Desta forma, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que os pais tenham claramente esta visão de “prós e contras” do uso da chupeta, para que, junto ao seu pediatra, possam tomar uma decisão informada quanto a oferecê-la, ou não, aos seus bebês.

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